Em tempos de gigas e terabytes, empresas como a Google guardam alguns petabytes de informação. Mas isso não é nada perto do yottabyte que os Estados Unidos pretendem criar.
Armazenar dados é uma das principais necessidades modernas. Cartões de memória, discos rígidos, SSDs e uma infinidade de dispositivos são criados e comercializados diariamente com esse único propósito. A quantidade de dados existente é tão grande que a maioria das pessoas não consegue nem mesmo conceber a grandeza – composta basicamente por “0” e “1” – dessa informação toda.
Atualmente, graças às limitações da tecnologia disponível, o limite teórico para a capacidade de armazenamento de dados por um computador é um yottabyte. Para não assustar ninguém com números realmente enormes, com milhares de zeros depois dos primeiros caracteres, o Baixaki vai mostrar, neste artigo, o que exatamente é um yottabyte (YB).
Para começar a matar a curiosidade: o nome é derivado da nona letra do alfabeto grego – “I”, chamada iota.
A internet em um só lugar
Provavelmente, se você tivesse um yottabyte disponível, não precisaria mais se preocupar com espaço para guardar tudo o que quisesse. Inclusive toda a informação disponível na rede mundial de computadores. Acredita-se que hoje, em 2010, todos os dados que compõem a web somem um zettabyte (ZB), que é a grandeza imediatamente inferior.Para entender melhor isso, pense que um zettabyte está para o yottabyte, assim como o megabyte está para o gigabyte. Ou seja, para ocupar um yottabyte, são necessários 1024 zettabytes.
Uma conta “simples”
Certamente, uma das melhores maneiras de apreender o tamanho de um yottabyte é pensando em quantos arquivos podem ser armazenados ao mesmo tempo em uma unidade, certo?
Seguindo uma escala crescente: em um HD de 1 terabyte (TB) é possível armazenar – em média –200 mil músicas em MP3. Para atingir o petabyte (PB), são necessários 1024 terabytes. A próxima base é o exabyte (EB), que comporta 1024 petabytes.Logo depois está o zettabyte que você já conheceu, com 1024 petabytes. Em arquivos de MP3, essa conta toda equivale a aproximadamente 214.749.438.541.824 músicas. Isso mesmo: em um yottabyte cabem – literalmente – trilhões de músicas!
Em números
Sim, existe um número exato para um yottabyte. Não se assuste, pois ele é alto, e – na verdade – é até difícil de ler o valor corretamente. Mas aí vai: 1.208.925.819.614.629.174.706.176 Bytes. Arredondando, pode-se dizer que um yottabyte é igual a 1.000.000.000.000.000.000.000.000 de conjuntos de zeros e uns.
Como obter um yottabyte
A grande questão é : se todos os discos rígidos do mundo – hoje – juntos não conseguem armazenar essa quantidade de dados, qual é a maneira prevista pela NSA (“National Security Agency” – agência de segurança nacional) estadunidense para construir um datacenter capaz de guardar essa quantidade de informação? E quais os motivos que levam a agência a querer esse complexo informacional?

A resposta à primeira pergunta é praticamente impossível de responder. Como os militares americanos – e por consequência as agências governamentais – investem pesado em tecnologia, é possível que tenham desenvolvido alguma maneira realista de condensar a armazenagem de dados para que um único prédio consiga resguardar um yottabyte.

Porém, usando apenas tecnologia já disponível comercialmente, é economicamente inviável montar um datacenter dessa grandeza. Os maiores HDs atualmente no mercado armazenam até 2 TB de dados e um gabinete de servidor costuma receber em média quatro unidades de armazenagem.

Com essa configuração, seriam necessários 128 gabinetes para resguardar um petabyte, alocados em 8 racks com espaço para 16 servidores. O próximo passo rumo ao datacenter de um yottabyte seria reunir mil racks em um único prédio, totalizando um exabyte. Este edifício ocuparia uma área equivalente a um quarteirão urbano, e teria dois andares.

Para atingir o zettabyte que – acredita-se – acumule todos os dados da internet atual, são necessários pelo menos 500 desses prédios, usando aproximadamente 6 km² de área – pouco menor que 1/4 do espaço ocupado pela Vila Mariana, em São Paulo.

Depois disso, chega-se às portas do yottabyte. Mas ultrapassar esse limite não é tão fácil quanto parece. Para reunir todos os bits que compõem a medida – teoricamente – máxima de armazenagem da informática, seria necessário construir mais ou menos 500 mil centrais de dados.

Isso mesmo, mil vezes mais prédios do que os necessários para se obter o zettabyte, ocupando quase dez mil km², ou duas vezes o terreno ocupado pelo Distrito Federal.
Motivo de segurança
Agora que é – quase – possível entender a magnitude da empreitada da NSA, prepare-se para descobrir a razão do projeto.
O superdatacenter de um yottabyte que os estadunidenses pretendem construir se destina – principalmente – a armazenar vídeos de segurança. Câmeras de vigilância são cada vez mais comuns, e a quantidade de informação gerada também é enorme.
A julgar por seriados e filmes policiais, a qualidade dos vídeos ainda não é das melhores, mas isso tende a mudar com o avanço da tecnologia. Imagens melhores significam mais informação, e, portanto, faz sentido querer espaço de sobra para guardar a filmagem de milhões de câmeras sem precisar apagar outros arquivos.Afinal, não é de hoje que os Estados Unidos resguardam a segurança do seu território com determinação e tecnologia.

















O motivo para é simples: os dados são gravados em discos magnéticos chamados platters, formados por discos extremamente rígidos que garantem a qualidade de gravação e leitura. A utilização de materiais duros é necessária para evitar a ocorrência de erros que podem surgir caso ocorram deformações na superfície.
Durante o processo de gravação, o campo magnético gerado pelos ímãs presentes nas cabeças faz com que as moléculas de óxido de ferro presentes na superfície magnética dos discos se reorganizem, alinhando os pólos negativos delas com os pólos positivos da cabeça. Da mesma forma, os pólos positivos se alinham com os pólos negativos.
Agora que você já sabe como funciona o processo de gravação e leitura dos arquivos presentes em um disco rígido, pode ter batido a curiosidade de saber como os desenvolvedores conseguem lançar HDs com capacidade cada vez maior.



















